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O que é e como atua? O coronavírus está relacionado com o Síndroma Respiratório Agudo que causa a doença conhecida por Covid–19 ou Coronavírus. Um vírus é constituído por camada lipídica que envolve material genético e algumas proteínas. Este não é considerado um ser vivo, uma vez que não tem metabolismo próprio, recorrendo a células hospedeiras, utilizando a energia destas para se multiplicar/replicar. A sua principal fonte de propagação aparenta ser pelas vias respiratórias, quando alguém infetado tosse, espirra ou fala e projeta o vírus, que entra em contacto com as outras pessoas, através da boca ou do nariz, ou mesmo quando as mãos esfregam os olhos, estando estas já contaminadas. Este pode permanecer sobre as superfícies, até dois ou três dias, não se sabendo bem quanto tempo pode sobreviver nelas (ver texto Covid–19: A Sobrevivência e as superfícies). A partir desse momento o vírus começa a sua jornada, apanhando boleia até às profundezas do nosso corpo. Os locais preferidos são as células dos intestinos, do baço e dos pulmões, local esse onde o vírus manifesta o seu efeito mais dramático. Mesmo apenas um ou dois vírus, no início, podem causar uma dramática situação. Os pulmões estão revestidos por milhares de milhões de células epiteliais, que funcionam como uma barreira do nosso corpo, que delimitam os órgãos e as mucosas que aguardam a infeção. O Corona conecta-se a um recetor específico na membrana das células das vítimas, de maneira a poder injetar no interior da célula hospedeira o seu material genético. A célula, ignorando a situação, ordena as «novas instruções», bastante simples: fazer cópias e reagruparem-se. A célula realiza cada vez mais cópias do vírus original, até atingir um ponto crítico, altura em que recebe uma ordem final… a autodestruição. A célula desintegra-se, libertando múltiplos novos vírus, preparados para atacar, outras tantas, novas células. O número de células infetadas cresce drasticamente e de forma exponencial. Após aproximadamente 10 dias, milhões de células encontram-se infetadas e milhares de milhões de vírus infestam os pulmões. Neste momento o vírus ainda não provocou muitos danos, mas prepara-se para usar uma arma mortífera… o nosso próprio sistema imunitário. O sistema imunitário, preparado para nos proteger, pode vir a tornar-se muito perigoso para nós próprios, precisando mesmo de inúmeras e constantes inspeções. À medida que as células imunitárias entram nos pulmões para combater o vírus, este acaba mesmo por infetar algumas destas células e criar o caos. As células não possuem ouvidos nem olhos, comunicam apenas através de pequenas proteínas de informação chamadas de citoquinas. Quase todas as reações imunitárias mais importantes são controladas por este tipo de proteína. O Coronavírus faz com que as células imunitárias infetadas tenham uma reação exagerada, mandando «assassinos sangrentos», provocando o sistema imunitário a entrar num estado de «guerra civil», enviando cada vez mais células do que inicialmente era suposto, gastando os seus recursos e provocando o caos. Duas células, em particular, provocam mais estragos. Por um lado, os neutrófilos que são ótimos a aniquilar coisas, incluindo as nossas células sãs; assim que chegam aos milhares, começam a libertar enzimas que tanto destroem amigos como inimigos; por outro lado, o outro tipo de células que participa igualmente na luta são as células T, citotóxicas, que normalmente ordenam às células infetadas a proceder à sua própria autodestruição. Como o caos está gerado, começam a mandar células saudáveis, em redor, a cometer igualmente o suicídio. Quanto mais células imunitárias são chamadas, mais danos provocam e mais tecido saudável se desintegra. Esta situação pode chegar a um ponto tão grave, que poderá causar danos permanentes e irreversíveis, provocando debilidades para toda a vida. Na maioria dos casos, o sistema imunitário recupera lentamente o controlo, matando as células infetadas, impede o vírus de infetar novas células, limpando o campo de batalha… a recuperação começa. A maioria das pessoas infetadas pelo Coronavírus, vai ultrapassando a doença com leves sintomas como febre e tosse seca acompanhadas de perda de sabor e de olfato. No entanto, muitos casos tornam-se graves, ou mesmo críticos. Não conhecemos a percentagem porque nem todos os casos são reportados, mas é seguro dizer que é muito mais distinta que a febre. Em casos mais graves, milhões de células epiteliais morrem e com elas a barreira protetora dos pulmões também desaparece. Isso significa que os alvéolos – pequenos sacos aéreos por onde se processa a respiração, podem ser infetados por bactérias que normalmente não apresentariam grande perigo. Os pacientes passam a ter pneumonia, a respiração é dificultada ou acaba mesmo por falhar e os pacientes necessitam de ventiladores para poderem sobreviver. O sistema imunitário lutou com a sua capacidade máxima durante semanas produzindo milhões de armas antivirais e como ao longo do tempo milhares de bactérias se multiplicaram rapidamente, o sistema fica sobrecarregado. Estas entram no sistema circulatório invadindo o corpo, se tal acontecer a morte é um caso bastante provável. O Coronavírus é normalmente comparado com a gripe vulgar, mas na realidade, é muito mais perigoso; enquanto que a taxa de mortalidade é difícil de definir durante uma pandemia decorrente sabemos hoje, definitivamente, que é muito mais contagioso e que se alastra muito mais rapidamente do que a gripe. Existem dois futuros possíveis para uma pandemia tal como o Coronavírus: a rápida e a lenta; o futuro que iremos experienciar depende de como cada um reagir nos primeiros dias do surto. Uma pandemia rápida será devastadora e custará muitas vidas, enquanto que uma pandemia lenta não será lembrada nos livros da história. O pior dos casos para uma pandemia rápida começa com uma grande taxa de propagação de infeção devido à falta de contramedidas que permitam a sua desaceleração, mas porquê é que isto acontece? Numa pandemia rápida, muitas pessoas ficam doentes ao mesmo tempo. Se os números subirem demasiado rápido, os sistemas de saúde deixam de ter mãos a medir, passa a não haver muitos recursos, tais como os equipamentos médicos, pessoal disponível ou aparelhos como ventiladores que ajudam a população. As pessoas vão morrer sem ser possível trata-las. Mas à medida que os profissionais de saúde ficam doentes, a capacidade destes sistemas de saúde decresce ainda mais. Se for esse o caso, decisões horríveis terão de ser tomadas como quem acaba por viver ou morrer. O número de mortes cresce significativamente em tal cenário. Para evitar que tal aconteça, o Mundo, ou seja, todos nós deveremos fazer tudo o que está ao nosso alcance para a transformarmos numa pandemia lenta. Uma pandemia atrasa-se pelas respostas certas especialmente na fase inicial, para que toda a gente que fique doente possa receber o tratamento adequado e não haja momentos de crise com os hospitais sobrelotados. Já que ainda não temos nenhuma vacina para o Coronavírus temos de estabelecer um comportamento de modo a agirmos como uma vacina social. Isto tem dois significados simples: 1.º não ser infetado; 2.º não infetar os outros. Apesar de ser insignificante, a melhor coisa que podemos fazer é lavar as mãos. O sabão é, por acaso, uma ferramenta muito poderosa. O Coronavírus encontra-se basicamente encapsulado numa barreira de lípidos, o sabão desintegra facilmente essa barreira, fazendo com que não seja permitido infetar. Também faz com que as mãos fiquem escorregadias e com os movimentos mecânicos da lavagem os vírus desaparecem. Para que o faças corretamente, lava as mãos como se tivesses acabado de cortar umas malaguetas e queiras colocar umas lentes de contacto a seguir.
O próximo passo é a distância social, o que não é uma boa experiência, mas uma coisa certa que todos devemos fazer. Isto significa: não haver abraços, nem apertos de mão, se tiveres de ficar em casa, fica em casa para proteger aqueles que precisam de sair para que a sociedade funcione. Desde médicos, a pessoas em caixas de atendimento, polícias ou bombeiros, todos dependemos deles e todos eles depende de nós para que não fiquem doentes. Num nível mais avançado, existe outro tipo de quarentena que pode significar coisas diferentes, desde restrições de viagens até mesmo ordens para ficar em casa. A quarentena não é uma experiência agradável e certamente nada popular. No entanto fornecem-nos, e, especialmente para os investigadores que procuram medicação e vacinação, tempo crucial. Então se estás de quarentena, devias perceber porquê e respeitá-la. Nada disto é engraçado, mas ao olhar para a situação de uma diferente perspetiva é um pequeno preço a pagar. A questão de como a pandemia vai acabar depende como ela começa. Se começar rapidamente com um grande pico então acabará por terminar mal. Se começa lentamente com um pico não muito alto pode acabar consideravelmente bem. É nestes tempos que depende de cada um de nós lavando as mãos figurativamente e literalmente. (Our World In Data)
Professor Jorge Santiago |
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