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Ano XII - Jornal N.º 22 - Junho de 2003 |
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Clube de Ciência
ESTAÇÃO METEOROLÓGICA DIGITAL
No dia nove de Maio de 2003,
sexta-feira ao meio-dia na Escola Pedro da Fonseca de Proença-a-Nova,
as condições atmosféricas eram as seguintes:
A partir de agora, já é possível determinar as condições atmosféricas, não só na nossa escola, como na vila de Proença e concelho, visto que, por ser relativamente pequeno, salvo raras excepções geográficas, altitude, relevo, ribeiros, floresta, charneca, etc., estas condições pouco variarão. O Clube de Pequenos Cientistas conseguiu, junto da Caixa Geral de Depósitos, o apoio para a construção da protecção em rede da Estação Meteorológica. Tentou junto de vários organismos oficiais, os quais não deram resposta às suas necessidades. Assim, aproveitamos este meio para agradecer publicamente à Caixa Geral de Depósitos, na pessoa do seu antigo gerente Sr. José Henriques, a verba que disponibilizou logo de início quando se apercebeu das dificuldades em arranjar apoios, para concluir o projecto. O projecto foi idealizado pelo nosso presidente Professor João Manso e coordenado pelo professor Jorge Santiago. Foi a concurso no âmbito da Ciência Viva e em 2002 tinha sido aprovado com uma verba de cerca de 800 contos ( 3700). Através do Ministério da Ciência e da Tecnologia, foi-lhe atribuído um código PV0397, que permite uma consulta rápida na Net, na página da Ciência Viva. Ainda no âmbito dos projectos de Ciência Viva, o Clube de Pequenos Cientistas já participou noutro projecto no âmbito da astronomia ao qual lhe foi atribuído o código PIII678. Porquê uma Estação? A estação meteorológica digital além de permitir o registo diário em intervalos programáveis consoante as investigações, podendo ir até ao segundo, vai permitir aos seus utilizadores a possibilidade de elaborar gráficos diários, onde serão registadas as alterações climáticas verificadas no concelho, mais propriamente, na nossa escola. A partir daqui tudo será possível, como a introdução dos valores das leituras actualizados na Internet; elaboração de gráficos diários, mensais e anuais, sobre os vários parâmetros medidos e respectiva análise, podendo esta ser de nível histórico do clima como matemático das variações; fornecimento de dados necessários às experiências envolvendo as plantas, tanto a nível agrícola como escolar; tudo isto envolvendo a escola, o meio e a interdisciplinaridade. E a Previsão do Tempo? Dantes, os meteorologistas tinham tanta fama como os caçadores e pescadores, todos eram mentirosos... O problema surgia porque as análises aos dados registados era feita de uma maneira mais lenta, as fotografias de satélite (introduzidas na Europa apenas nos anos setenta), eram diárias e não a tempo real como hoje, não havia tanta informação como actualmente. Mas, sobretudo, é que o clima pode ser alterado pelas mais variadas formas, logo no início salientam-se as excepções geográficas. Embora a Terra possa parecer um sistema aberto, climaticamente é bem fechado, com variações e alterações todas interligadas, não sendo possível determinar a maior parte das vezes a resultante de todas as força que actuam no nosso sistema, o que dificulta largamente a vida dos meteorologistas. Uma frase célebre do maior cientista português de todos os tempos, Professor Doutor Pinto Peixoto, Presidente do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica e com os maiores galardões nacionais e internacionais, infelizmente já falecido, era: o bater das asas de uma borboleta aqui, pode provocar um furacão nos Estados Unidos. Todos os sistemas climáticos estão relacionados. As massas de ar mais conhecidas por ventos, deslocam-se com sentidos bem definidos, podendo variar a sua intensidade devido a pequenos factores. Assim surgem ventos polares marítimos frios e húmidos, os ventos do Norte de África quentes e secos, também conhecidos como vento suão; em conjunto geram no nosso arquipélago dos Açores, um anticiclone onde as massas de ar tropical marítimo, quente e húmido podem atingir ou não o nosso território e a Europa, trazendo consigo uma superfície frontal quente e o bom tempo. Como se não bastasse, surgem ainda massas de ar oriundas do Pólo Norte, mas que atravessam o nordeste da Europa, a que chamamos massas de ar polar continental que são frias e secas. Se conseguirmos visualizar todas estas massas de ar, podemos imaginá-las em movimento, algumas a muitos quilómetros por hora. Assim, o que há cinco minutos era bom tempo e sol agora pode ser chuva e vento forte; já nos deve ter acontecido sairmos de casa todos agasalhados e, daí a pouco estar sol, ou o contrário, que é bem mais complicado se vier acompanhado por pequenos aguaceiros. Como Utilizar os Dados O Clube de Pequenos Cientistas em colaboração com alguns alunos do 12º Ano está a elaborar uma página na Net que estará disponível no site da Escola Pedro da Fonseca, brevemente. Aí teremos informação adicional sobre como poderemos fazer, não uma previsão precisa, mas sim se o tempo vai melhorar ou piorar apenas para amanhã. Claro está que, se os dados por nós fornecidos forem acompanhados por uma fotografia de satélite meteorológico, poderemos então fazer uma ideia mais alargada. Projectos do Clube Ciência O Clube de Pequenos Cientistas já no seu quarto ano, tem colaborado com várias instituições e feito intercâmbios com diversos clubes de ciência. Agora com a estação meteorológica digital, vai elaborar um estudo, em colaboração com os Bombeiros Voluntários sobre a influência do clima no combate aos incêndios. O que desejaríamos era que esse estudo nunca pudesse ser realizado por falta de incêndios. Mas, como a legislação actual não pune severamente os incendiários, estes continuam a acontecer. Se Proença-a-Nova fosse uma vila industrializada como todos gostaríamos que fosse e que um dia será, poderíamos elaborar estudos sobre a influência da poluição no aumento da pluviosidade. Estamos actualmente inseridos num projecto internacional Young Reporters onde já concorremos com diversos trabalhos em inglês. Participamos há dois anos no Encontro Anual de Jovens Investigadores e estamos a preparar-nos para concorrer ao Encontro Nacional de Ciência. Felizmente o Clube tem tido o apoio do presidente da Escola Pedro da Fonseca, professor João Manso, que nos lançou um projecto deveras ambicioso, que pensamos levar avante já no próximo ano, para os alunos do 10.º Ano. Não vamos dizer como se chama o projecto, apenas que tem a ver com análises das mais variadas águas que temos no nosso concelho. Por isso preparem-se, se virem por aí alguns colegas vossos de bata branca, com tubos e frascos na mão, não se assustem, são os Pequenos Cientistas em acção. Resta-nos apenas agradecer a todos os membros do Clube, que se esforçaram e trabalharam com o intuito de tudo fazerem em prol do seu desenvolvimento científico. Aguardem pelos campos de férias que estão aí a surgir. Quem sabe se não teremos um Clube de Ciência nas férias...
Prof. Jorge Santiago |
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